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Autarcas Social Democratas

"Ninguém melhor do que os representantes locais do Partido conhece as pessoas
e as populações." Francisco Sá Carneiro (5-08-1976)

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FERNANDO QUEIROGA

É urgente repensar a gestão da nossa floresta

Numa imagem que infelizmente se repete todos os anos, o verão de 2016 voltou a trazer os incêndios florestais para as primeiras páginas dos jornais e para a abertura dos noticiários nas televisões. É um cenário recorrente e aparentemente sem fim à vista, até porque só nesta altura é que se lamenta o que deveria ter sido feito, e não foi, na nossa floresta ao longo de todo o ano. Apregoa-se que o combate aos incêndios deve começar na prevenção, mas quando as chamas se apagam tudo parece voltar à primeira forma e a floresta continua a ser tratada com desdém e votada ao esquecimento, até que milhares de hectares voltem a ser consumidos pelos incêndios florestais, que dizimam por completo o verde das nossas montanhas.

As dimensões atingidas pelos incêndios florestais neste final de verão aconteceram em grande parte, como todos os anos, pelo estado lamentável em que se encontram as nossas florestas, que carecem do necessário ordenamento e de acções de limpeza regulares, para reduzir a quantidade de material combustível e tornar mais rápidas e eficazes as acções de combate. As preocupações da população são legítimas e ganham ainda mais força quando um incêndio florestal consome os seus bens e põe em risco as suas próprias habitações, mas esbarram numa malha de burocracias e aspectos legais que as impossibilita de qualquer acção na floresta, transformando aquela que devia ser uma fonte de riqueza para todos numa permanente dor de cabeça.

As políticas de defesa da floresta e das suas riquezas devem assentar numa estratégia de longo prazo, mau grado as necessidades exigirem investimentos que permitam no imediato a recuperação das áreas ardidas e do potencial produtivo de que depende a sobrevivência de milhares de famílias. Assim, devemos esgotar todas as possibilidades para que esta temática não seja esquecida e para que se encontrem mecanismos de apoio que permitam a rápida recuperação da extensa área que os incêndios florestais consumiram em Portugal, fazendo-se, em simultâneo, um investimento na floresta e na agro-pecuária, que permita rentabilizar os territórios de montanha e contribuir para a fixação da sua população, em particular dos mais jovens, que se vêem muitas vezes obrigados a deixar as suas terras em busca de melhores condições de vida e, com isso, contribuindo para a desertificação destas regiões e para a descaracterização das especificidades próprias de cada local, desde a sua paisagem aos usos, costumes e cultura.

Os atores locais devem ter maior capacidade de afirmação e de gerar interesse de investimento externo, contribuindo decisivamente para a promoção territorial e para a criação de infra-estruturas geradoras de maior atratividade destas regiões. É necessário desenvolver iniciativas que dêem a conhecer as potencialidades da nossa floresta, promovam o seu espaço e garantam um modelo de desenvolvimento próprio, com condições favoráveis à sua expansão e à manutenção das comunidades e modos de vida locais.

A gestão da nossa floresta deve ser profundamente repensada e as autarquias locais devem ver reforçadas as suas competências nesta matéria, num modelo de gestão integrada do seu território e da rentabilidade dos seus recursos, em claro benefício da população e da defesa da nossa floresta e de todos os recursos, quer naturais, quer económicos ou ambientais.

Fernando Queiroga

Presidente da Câmara Municipal de Boticas